A Ceia

Há flores na aridez do mundo
Há cores na escuridão
Há pequenos gestos de carinho em meio a multidão.
Desculpa se não tenho sido um bom amigo, um bom funcionário, um bom patrão, um bom cidadão.
A vida engole a gente, a noite engole o dia, os boletos o salário,  a solidão o amor, o desamor o sorriso, a descrença o perdão.
Mas dentro de mim ainda brota uma sede e uma fome de algo que não há em aplicativo nem na feirinha ou qualquer restaurante.
É a fome q me une aos animaizinhos de rua que me rodeiam de bando e aos maltrapilhos, aos meninos de olhares triste e medrosos que sentam ao meu lado sem nada a dizer sem nada a pedir. É a fome do humano, é a fome a qual estamos todos condenados mesmo com a dispensa cheia. E eu sei dessa fome e sem dizer e sem saber eles sabem que eu também sei. 
No silencio quebrado pelas folhas secas, sabermos do mesmo segredo é o que nos reune na mesma ceia onde o cálice e a tigela imaginária são preenchidas pelo amor e um até logo.

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Creditos de texto e fotografia @mauriticunha

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