Maurice(1987) análise de filme
Filme Maurice temática LGBT
Maurice, ou como se pronuncia em anglo-saxão (móuris) é um filme com temática gay de um tempo onde não se trabalhava o assunto no cinema. Interessante de ser visto não só pela questão social e política da época que retrata, mas também pelo satisfatório desenrolar que é o que difere da maioria das obras dessa mesma temática na atualidade. O longa mais que tudo, apresenta a possibilidade de finais felizes além da discussão das formas de preconceito.
O filme é lançado em 18 de setembro de 1987 (EUA) do gênero romance/drama com duração de 140 minutos foi dirigido por James Ivory, adaptado ao livro escrito por E. M. Forster e lançado em 1971. Obteve 09 Indicações incluindo o Oscar de melhor figurino e premiado com: Copa Volpi de Melhor Ator do Festival de Veneza, Golden Osella for Best Score e Silver Lion.
O filme se inicia com um professor de ciências falando ao personagem principal no último dia do ensino primário sobre os processos de crescimento e desenvolvimento do corpo já que Maurice (James Wilby) era órfão de pai. O professor deixa a promessa que um dia o reencontraria já moço e com sua esposa. Saltando para 1.909, Maurice Hall entra para a Universidade de Cambridge, onde ele fica amigo do aristocrata Clive Durham (Hugh Grant). Clive declaração sua atração por Maurice que nesse processo se descobre homossexual e começa a retribuir Clive. Os dois iniciam um intenso porém discreto caso na conservadora universidade para evitar manchar a reputação de Clive que tinha o destino dinástico já traçado na política.
Ambos percebendo a perseguição e prisão de um colega que tem a carreira e reputação destruída pelo fato de também relacionar se com o mesmo sexo, Clive não se desfaz da amizade mas decide casar se com uma mulher. A relação de amizade e respeito continua, mas enquanto visita Clive e sua nova família Maurice se interessa pelo ousado, destemido e experto empregado Alec Scudder (Rupper Graves).
Se por um lado Clive não pôde seguir o romance adiante com Maurice por sua riqueza e status na aristocracia, Maurice, que também era rico (não tanto quanto Clive) ao final decide romper com o compromisso dos padrões sociais. O filme mostra a tristeza e insatisfação de Clive por não ter vivido a vida que gostaria enquanto Maurice entrega se ao amor do empregado. Então daí há também a ruptura de padrões sociais, um aristocrata com um empregado.
Com tabus, leis e preconceito contra a homossexualidade Maurice recorre aos médicos, um anatomista e um psiquiatra são também interessantíssimas. O anatomista diz nada haver errado com o rapaz, enquanto o psiquiatra após tentar mudar sua percepção sobre homens e mulheres com hipnoses sugere “ Seguir sua natureza” “Mude para um país que não pune pessoas com essas tendências” e sugere Itália ou França.
Ressalto as delicias do filme com cenas sensíveis como o canto gregoriano Miserere mei Deus de Gregorio Allegri enquanto os personagens estão na igreja, levando o público a leveza e ao sagrado. A obra é bela, os trajes, os cenários, o mobiliário, lustres da Inglaterra de 1900 traz o requinte, os bons modos, a conversação polida. Outros fatos interessantes na construção desses personagens é seu psicológico, todos abrem mão de alguma coisa, de alguns sonhos, riqueza, família e ou reputação, mas a forma que abrem mão é diferente e é o que determina sua felicidade ou infelicidade.
De forma geral é um filme leve e bonito que pode ser visto em família sem constrangimentos e nos serve de reflexão; todos nós temos que fazer escolhas, deixar algumas coisas para prosseguir, mas a forma e a coragem como abrimos mão é o que determina nossa felicidade.
Referencia:
MAURICE. Direção: IVORY, James de FORSTER, E. M. Produção: Ismail Merchant; Paul Bradley. Reino Unido. Cinecom, 1987.Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=xA8aN5SqB8I 05 fev.2021
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